Tailândia considera prisão unicamente LGBT e divide opiniões

Crédito: patrikmloeff via Visualhunt / CC BY-NC-ND

As prisões são lugares não muito amigáveis. Principalmente para a população LGBT, caso essa encontre pessoas preconceituosas dentro das grades. Por isso, a Tailândia, conhecida por ser um paraíso gay e local com ótimas cirurgias de mudança de sexo, tem medidas para proteger a população prisional LGBT. Mas agora, o país quer criar uma prisão voltada apenas à esse público, e isso pode não ser tão benéfico.

Atualmente, há prisões tailandesas, como a Pattaya Remand, que separam os presos LGBT de outros presos para prevenir a violência. Lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais fazem juntos suas refeições e seus exercícios matutinos e, à noite, dormem no mesmo pavilhão, separado dos outros presos.

Porém, no resto do dia, a população LGBT se mistura com o restante dos presos. É comum eles continuarem juntos para certas atividades, como costura e futebol. Mas não é difícil ver, por exemplo, mulheres trans jogando vôlei ao lado de homens fazendo musculação. Ou ver homens gays aprendendo sobre primeiros socorros e cuidando dos ferimentos de homens heterossexuais.

A medida de separação começou na Tailândia em 1993 e uma das razões pelas quais ela foi implantada é que, se não fosse, poderia haver muito mais estupros, violência sexual e ocorrência de doenças venéreas.

Muitos dos presos LGBT concordam que a separação limitada é uma harmonia decente entre a segurança e a segregação. Mas isso pode mudar.

Hoje há, na Tailândia, aproximadamente 300 mil presos, sendo que pouco mais de 6 mil deles são LGBT. E há planos de fazer uma prisão exclusiva para esse grupo perto da cidade de Bangkok. A ideia surgiu quando perceberam que é necessária uma melhoria no tratamento de transsexuais dentro das prisões. Os defensores da medida também afirmam que é uma questão de segurança.

O problema é que a população carcerária LGBT iria ficar mais longe de sua família e críticos também afirmam que pode ser uma medida segregacional.

“Seria mais fácil de controlar, de cuidar, de desenvolver e melhorar os hábitos e comportamentos deles”, disse o guarda de Pattaya Remand, Watcharavit Vachiralerphum. “Mas eles têm que se misturar com o outros presos, porque quando eles forem soltos, eles terão que se reinserir em uma sociedade diversa”.

“Construir e realocar uma prisão inteira para prisioneiros LGBT é, de fato, uma medida de segregação”, disse Jean-Sebastian Blanc, um expert em prisões da organização Suíça Associação para a Prevenção da Tortura. “Há uma diferença grande entre uma política de saúde pública voltada para previnir doenças transmissíveis e segregar um segmento da população baseado na sua orientação sexual ou identidade de gênero”.
Com informações de ABC News