Leia a história da empresária que teve sucesso em Miami

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Posso te dizer que a minha história, daria um belo roteiro de novela…

Eu sou a Simone Olivieira, uma carioca despachada de 39 anos, que foi aos Estados Unidos à trabalho e ficou. E hoje eu ajudo pequenas e medias empresas de brasileiros nos Estados Unidos, prestando consultoria de negócios.

Mas voltando um pouquinho no tempo, posso dizer que, eu nunca fui uma pessoa que nasceu para passar na vida sem ser notada. Quando eu tinha seis anos, eu fazia Ballet com uma professora que no futuro, a tia Fatinha, seria uma notória jornalista/apresentado do país – Fátima Bernardes. A saudade era tão grande que em junho do ano passado, peguei um avião de última hora para ir ao Programa Encontro para uma surpresa à apresentadora.

Sou formada em administração de empresas, e passei por empresas como IBM, Souza Cruz, Credicard e Sony Music, mas não sabia o quanto minha vida mudaria, quando fui à trabalho para Miami, acompanhar a banda Cidade Negra. Na época eu ainda trabalhava como produtora musical, e simplesmente decidi ficar por lá. Antes mesmo de a turnê acabar, liguei para minha mãe e disse para ajeitar minhas coisas no Brasil, porque eu não voltaria mais – me rendeu um bom tempo sem falar com minha mãe, pois ela foi bem relutante em acreditar na minha maluquice… e aí começaram as minhas aventuras na “Terra do Tio Sam”.

Com apenas 800 dólares no bolso, eu entrava em hotéis de luxo fingindo ser hóspede para mandar os currículos, pois com um trabalho poderia legalizar a sua estada nos Estados Unidos. Então, para me manter, trabalhei com tudo que aparecia em jornada dupla de trabalho. Eu fazia traduções, fui cuidadora, motorista, entregadora de panfleto e até manobrista – a única mulher na empresa.

Quando fui manobrista, foi a época que mais emagreci. Trabalhei duro. Tinha que pegar o carro estacionar e sair correndo para pegar outro – isso quando não tinha que subir as compras pesadas ao apartamento do morador e não receber um dólar se quer de gorjeta!

Outra passagem engraçada é que, um dia voltando para casa de ônibus, via ao longe a minha rua interditada e cheia de bombeiros e policiais. Quando chegou mais perto, percebeu que era um apartamento do prédio onde morava que tinha pegado fogo e, por conta disso, eu tive que ir a um abrigo da Cruz Vermelha – não tinha para onde ir e nem roupas para vestir.

Os dois primeiros anos foram os mais difíceis e também foram os que mais aprendi e paguei muito mico. Bati a cara na porta quando tentou “puxar” a porta ao invés de “empurrar” como PUSH determina; fiz sinal para que o ônibus parasse no ponto; cumprimentei dando dois beijos; esquecia de dar gorjeta, uma vez e a garçonete foi busca-la na porta; confusão com as regras de transito – cansei de ser xingada por ficar parada bloqueando a passagem num cruzamento (para quem vai virar à direita poder fazê-lo a conversão mesmo com o farol fechado, desde que não esteja passando carro); quando as viaturas, que apareciam do nada atrás do carro, eu pensava que seria levada presa, entre outas tantas!

Depois de muito trabalho e alguns anos de Miami, a percebi que podia ganhar dinheiro ajudando os conterrâneos a se instalar em território americano. Então, abri minha empresa de consultoria e hoje ensino o caminho das pedras para quem quer iniciar uma operação, comprar ou vender nos Estados Unidos. Em geral, são micro e pequenas empresas, que não fazem ideia de como iniciar o processo de internacionalização.

Com muito trabalho e falta de tempo, uma amiga me indicou um site de relacionamento. Mesmo relutante resolvi testar e não é que deu certo! Conheci um policial americano e, depois de cinco meses, fomos morar juntos. Logo, em menos de um ano, já estávamos casados.

Foram e são muitos desafios que essa eu tive de enfrentar, desde uma nova cultura, a falta de grana, a primeira sociedade que não deu certo, até que depois de quase 15 anos morando na América, agora eu tenho uma empresa nos Estados Unidos e outra na Europa.