EMPREENDEDORISMO FEMINISTA – NON ECXISTE!

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FEMINISMO – é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres e que existe desde o século XIX. O feminismo persiste porque persistem as diferenças e os equívocos sociais relativos ao gênero feminino. O feminismo é explicado em “ondas” e também podemos afirmar que ele se subdivide em diversas “vertentes,” o que você poderá pesquisar e aprender com feministas incríveis que fazem parte de diversos meios de comunicação.

EMPREENDEDORISMO – é o ato de empreender, chamamos de empreendedorismo aquele conjunto de ações que uma pessoa emprega pra alcançar um objetivo, a criação da oportunidade que não existia antes é empreender.

EMPREENDEDORISMO FEMININO – é o empreender da mulher.

PASMEM – NENHUMA FADA MORREU APÓS ESSA REVELAÇÃO.

Você quer ser a diferentona do rolê, você está sendo contraditória e não faz o menor sentido usar a expressão “empreendedorismo feminino” se você está dizendo que não tem nenhuma relação com o feminismo – disse a empreendedora indignada!

Pues, vou me justificar: Nós, mulheres – por questões exclusivamente de gênero – vivemos num universo diferente daquele conhecido pelos homens – classicamente empreendedores incentivados e criados para isso.

Enquanto os meninos crescem encorajados a se lançar nas oportunidades, das meninas é exigida a perfeição, então, o que sugiro seja feito é que incentivem as meninas a serem corajosas e não perfeitas – disso falaremos noutra oportunidade.

Nem toda empreendedora se reconhece feminista, assim como nem toda feminista é empreendedora, por quê? Porque são conceitos diferentes e NÃO complementares.

Uma rede que se propõe a falar sobre empreendedorismo feminino NÃO VAI e NÃO DEVE excluir NUNCA aquelas mulheres que não se identificam como feministas. Porque isso é desconstrução e não tem nada a ver com o EMPREENDER. Falaremos disso também noutra oportunidade.

O EMPREENDEDORISMO FEMININO é marcado por características femininas, que são exclusivas das mulheres. Não estou aqui disputando expertise sobre o tema, o que estou dizendo é que: a fala masculina sobre empreendedorismo vai nos ajudar naquelas situações que digam respeito apenas a técnica que envolve o evento, por exemplo, aprender sobre o desenvolvimento de um plano de negócios, com um facilitador homem é o mesmo que aprender sobre plano de negócios com uma facilitadora mulher, ou seja, o conteúdo será útil pra você independentemente do seu gênero, porque a matéria é técnica.

Ao passo que, falar sobre as dificuldades do mercado empreendedor, oportunidades de trabalho e ainda, sobre como a mulher pode se movimentar dentro de uma ambiente corporativo não pode ser aprendida com um homem, por questões óbvias.

Por fazer dessa fatia de mulheres que empreendem e fala sobre o empreendedorismo feminino, me deparo muitas vezes com a confusão generalizada que existe, confunde-se empreendedorismo feminino com empreendedorismo feminista, o que é um equívoco sem tamanho por questões linguísticas. Como pode o empreendedorismo ser feminista? Não existe um empreendedorismo feminista, assim como não existe uma camiseta feminista, uma caneca feminista, uma psicologia feminista, uma advocacia feminista. O que existe atualmente é uma enxurrada de pessoas usando esses para divulgar uma luta histórica das mulheres por igualdade, mas daí complementar qualquer ato, coisa, trabalho ou ação como feminista – é um erro que precisa e deve ser combatido sob pena de deixarmos de entender o conceito do movimento. Antes que eu me esqueça e que possa pecar, posso citar aqui coletivos exclusivamente composto por mulheres feministas – nesse caso é plausível que se use o “coletivo feminista X” porque é.

Se você quer fazer de um movimento empreendedor feminino esperando que ali sua acolhida seja automática porque você é mulher e feminista, ledo engano; o tão ovacionado conceito de sororidade usado nas falas do próprio movimento feminista deve ser usado com cautela, porque a “irmandade” não lhe da o direito de usar essa sua posição para forçar sua entrada em qualquer lugar que seja. Os conceitos de empreendedorismo e o desenvolvimento do seu trabalho e carreira só serão fomentados por uma rede de suporte se você o fizer utilizando suas habilidades para tal e não seu gênero. Isso quer dizer que: você poder ser feminista e ser uma péssima profissional, nesse caso o que uma rede de empreendedorismo feminino pode fazer por você é auxiliá-la no desenvolvimento das suas próprias capacidades. Usar o “ sou feminista e cadê a sororidade” para que sejam aceitos comportamentos e ações nada profissionais não vão ajudá-la em nada, muito pelo contrário, você estará tornando mais difícil a vida de mulheres que estão trabalhando com afinco e seriedade em nome de um movimento social histórico.

Em outra mão é importante falar sobre aquela profissional impecável, com a carreira em ascensão e que, no entanto, precisa (como todas nós) de uma rede de apoio mas não consegue se encaixar dentro de qualquer uma, porque acredita que aquele lugar seja exclusivamente para “feministas” – e ai? A função social de uma rede que fomenta o empreendedorismo feminino se perdeu e deixou de abraçar uma mulher, porque é isso que devemos fazer acolher e abraçar mulheres; tenham elas passado pelo dolorido processo de desconstrução ou não. Importante lembrar que todas nós em algum momento tivemos alguém para nos auxiliar e ajudar a entender o que é o feminismo, se hoje posso dizer de peito aberto e boca cheia: sou feminista é porque alguém teve comigo paciência e disposição para explicar a despeito de todas as besteiras que eu possa ter falado.

Como estamos falando de empreendedorismo feminino e redes de apoio e fomento, vamos esbarrar no famigerado: “precinho amor, ajuda a mana, preço desapego” e demais adjetivos enfeitados que vemos por aí circulando entre os coletivos femininos que ao invés de valorizar o trabalho da mulher, tem se tornando o maior desafio delas.