‘Nossa voz ecoa’: Preta-Rara emociona plateia no TEDx São Paulo

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“Eu não estou aqui sozinha. Comigo tem mais 6 milhões de empregadas domésticas de todo o Brasil”. Foi assim que Joyce Fernandes, também conhecida como Preta-Rara, encerrou sua participação no TEDx São Paulo. Com um discurso apaixonado, rasgado e contundente, Preta- Rara emocionou e foi aplaudida de pé pelas 1.200 pessoas que acompanhavam na plateia o evento, que aconteceu no dia 2 de novembro, em São Paulo.

Preta-Rara é rapper e professora de história e trabalhou durante sete anos como empregada doméstica. Por conta disso criou em julho desse ano a tag #EuEmpregadaDoméstica para denunciar os abusos cometidos pelos ex patrões. O sucesso e adesão foram imediatos. A rapper decidiu então criar uma página para publicar os inúmeros relatos que estava recebendo desde que criou a tag. Em menos de 24 horas a página já tinha mais de 4 mil seguidores e passou a dar voz para uma classe que sempre foi ignorada. Atualmente, a página tem mais de 100 mil seguidores.

“Você nasceu para servir. Sua vó era empregada, sua mãe também. É o seu destino”, a rapper ouviu essa frase de uma ex patroa. Durante sua apresentação no TEDx, Preta-Rara contou sua trajetória como empregada doméstica e denunciou a realidade de milhões de trabalhadoras que muitas vezes tem seus direitos mais básicos negados. Com a poesia “A Senzala Moderna é o quartinho da empregada” a rapper mostrou para a sociedade uma realidade racista e excludente.

Agora, para dar ainda mais força às domesticas do país e consequentemente denunciar os abusos cometidos pelos patrões, uma campanha de financiamento coletivo pretende arrecadar fundos para a publicação de um livro. O objetivo é levantar R$ 30 mil até dia 24 de dezembro.

Sobre o livro Eu, Empregada Doméstica

A narração traz a história da rapper por meio de dois planos de ação, no espaço e no tempo: vozes por detrás dos relatos recebidos ilustram o plano da ‘realidade’, em paralelo ao plano do universo psicológico dos desejos e pensamentos. A narrativa contará quem são essas mulheres e como lidam com as suas relações sociais e familiares.

Em determinados momentos da história não será possível distinguir se a história pessoal da rapper é a de sua própria mãe ou de outras personagens ilustradas pelos traços da grafiteira Nenê Surreal.O universo psicológico dos desejos e pensamentos das personagens serão criados pela artista plástica Ana Maria Santana, cujo desenho possui influência cubista abrasileirada pela arte naif.

Para saber mais sobre o financiamento coletivo:

Para colaborar você pode acessar esse link.