Por que precisamos falar sobre a legalização do aborto?

Feministas em ato na Praça XV, defendiam, em 2015, a descriminalização do aborto e destacavam o alto índice de mortes em abortos clandestinos. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Porque 28 de setembro é dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto.

Porque anualmente, são realizados 1 milhão de abortos clandestinos no Brasil.

Porque desses 1 milhão, 200 mil tem complicações graves como hemorragia e infecções generalizadas.

Porque 250 mulheres morrem por ano no Brasil, por conta de abortos clandestinos

Porque a cada dois dias uma mulher vem a óbito por causa de complicações causadas por aborto realizados em clínicas sem estrutura adequada,  por “curiosas” ou porque introduziram agulha de crochê, aros de bicicletas ou cabides em suas vaginas numa tentativa de abortamento.

Porque mulher pobre e negra tem risco multiplicado por mil quando necessita de um aborto.

Porque segundo a Organização Mundial de Saúde, no Brasil, uma em cada nove mulheres recorre ao aborto como meio de pôr fim a uma gestação não planejada.

Porque a mortalidade decorrente do aborto é 2,5 vezes maior em menores de 20 anos.

Porque o Estado não pode legislar sobre o útero de uma mulher

Porque a mulher é dona soberana do seu corpo e somente ela tem o poder de decidir sobre o mesmo.

Porque não esqueceremos Jandira, Caroline e Tatiana – mulheres que morreram em clínicas clandestinas de abortos.

Porque o aborto não é um bem a ser alcançado. Nenhuma mulher acorda um dia e diz ‘vou engravidar daquele canalha que vai me abandonar, só para ter o prazer de provocar um aborto’. As mulheres buscam no aborto soluções para situações extremas. E os traumas físicos e psicológicos são inúmeros.

Porque aborto não é sobre sua opinião, sobre o que pensa a sua vizinha ou sua tia. Aborto é sobre escolha, sobre o direito de decidir. Não tem nada a ver com crença. É questão de saúde pública.