InfoPreta: computadores e sororidade para mulheres negras

Crédito: Jordânia/ Reprodução Facebook InfoPreta

Quem é mulher sabe bem como é lidar com o machismo e sexismo em algumas áreas profissionais dominadas exclusivamente por homens. Além disso, muitas vezes mulheres não se sentem seguras em receber em casa um homem para prestar algum tipo de serviço, seja por medo do assédio, seja pelo receio de ser enganada.  Pensando nisso, a estudante de análise e desenvolvimento de sistemas Buh Angelo, de 22 anos, criou um serviço de manutenção e informática de mulheres para mulheres: a InfoPreta.

A empresa foi fundada há cinco anos e segue como a única do ramo liderada por mulheres negras. Buh sentiu na pele a falta de oportunidades no setor, uma vez que o ramo é dominado por homens. Além do machismo, foi também o racismo institucional que a afastou das grandes empresas. “Resolvi criar o projeto porque eu sempre tive muitas dificuldades em conseguir os materiais que eu precisava para estudar tecnologia. A mulher negra, seja ela cisgênera ou transgênera nunca está realmente inserida na sociedade. O meu objetivo, então, é o de dar condições para que essa mulher, que vive em vulnerabilidade, consiga estudar e se formar”, explica Buh.

A InfoPreta oferece serviços de consultoria tecnológica, inovação e TI, auxilio com TI, tecnologia e equipamentos, oficinas e cursos sobre TI para mulheres, criação de sites e app mobile, restauração, backup e formatação de computadores, manutenção geral e limpeza;, instalação e manutenção de programas e acessórios, conserto e montagem de computador, manutenção e consertos de aparelhos eletrônicos em geral, higienização, serviços de manutenção de micros e notebooks, upgrade no equipamento, montagem de micros instalação de softwares e hardwares, limpeza de micros ou notebooks, reciclagem de micros, notebooks e equipamentos eletrônicos em geral, venda de todos os tipos de eletrônicos, desenvolvimento de websites, hot site e e-commerce. Buh possui formações técnicas em outras áreas como automação industrial, eletrônica, manutenção de computadores e CPUs e robótica, um currículo extenso para alguém de tão pouca idade.

Hoje, além dos consertos e orientação técnica para mulheres, Buh possui um projeto de doação de notebooks para mulheres negras, estudantes e mães como forma de garantir a permanência destas nos meios escolares e acadêmicos. Os “Notes solidários da Preta” já garantiram a permanência de diversas mulheres e são obtidos por meio de doações. Após serem consertados, são distribuídos entre as estudantes que devem comprovar sua matrícula e apresentar semestralmente o histórico acadêmico. “Quem tem um computador hoje pode acessar Internet e, assim, ter acesso a livros e conteúdos variados para estudar”, afirma a empresária.

Desde julho, Buh trabalha em um escritório que divide com outros três empreendedores no centro de São Paulo. Antes, ela consertava computadores na casa das clientes, na região da grande São Paulo. O valor que cobra depende da capacidade de pagamento de quem lhe procura. Mas, muitas vezes, não chega nem a cobrar pelo serviço.

Atualmente, para conseguir atender a crescente demanda, a empresária conta com duas estagiárias. Ela não sabe contabilizar quantas mulheres já foram beneficiadas pelo Note Solidário. O próximo passo é conseguir montar um centro de informática no Grajaú, projeto que está desenvolvendo em parceria com outros empreendedores, ainda sem data para sair do papel. “O Infopreta trabalha sempre em colaboração. A ideia é formar uma rede de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade”, conta.