Semana da Visibilidade Lésbica é marcada com atividades e resistência

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Desde 1996, o dia 29 é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data teve início quando aconteceu, no Rio de Janeiro, o Primeiro Seminário Nacional de Lésbicas, organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). A semana que antecede a data é chamada de Semana da Visibilidade Lésbica e a importância dessa data se dá pela urgência em combater o ódio e a violência contra as mulheres lésbicas, recorrentes vítimas da misoginia e lesbofobia no Brasil.

Em abril, Luana Barbosa dos Reis, de 34 anos, mulher negra, moradora da periferia de Ribeirão Preto e lésbica, foi espancada pela polícia e após cinco dias internada, alguns dos quais em coma, morreu por causa de uma isquemia cerebral causada por um traumatismo cranioencefálico Várias entidades e movimentos ligados aos direitos humanos e LGBT alegaram que a truculência da polícia se deu não apenas por racismo, mas também por lesbofobia – aversão, violência, discriminação às mulheres lésbicas por conta da orientação afetivo-sexual delas.

Entre janeiro de 2013 e 31 de março de 2014, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) monitorou a violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros na América. Em seu Registro de violência contabilizou, pelo menos, o assassinato de 594 pessoas LGBT, ou percebidas assim, e 176 vítimas de ataques graves, embora não letais. Desse total, 55 foram contra mulheres lésbicas, ou percebidas como tais.

Ainda segundo a OEA, mulheres lésbicas ou identificadas desta forma foram vítimas de “estupro corretivo”, ou estupro para puni-las, com a intenção de “mudar” sua orientação sexual; de espancamentos coletivos por causa de manifestações públicas de afeto; de ataques com ácidos; e de entrega forçada a centros que se oferecem para “converter” sua orientação sexual.

Em artigo para a plataforma Blogueiras Negras, a advogada Ticiane Figueiredo, especialista em direito civil , explica que o estupro corretivo é a forma mais odiosa de tentar apagar a identidade lésbica. “Consiste em uma prática criminosa na qual o agressor acredita que poderá mudar a orientação sexual da lésbica através da violência sexual. Isto porque, para eles, ao praticarem tal ato, elas vão ‘aprender a gostar de homem’ ”.

De acordo com a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), estima-se que cerca de 6% das vítimas de estupro que procuraram o Disque 100 do governo federal, durante o ano de 2012, eram mulheres lésbicas. E, dentro desta estatística, havia um percentual considerável de denúncias de estupro corretivo. Entre 2012 e 2014, as mulheres lésbicas responderam por 9% de toda a procura pelo serviço.

Luta

Diante de um cenário de violências e restrições de direitos, é necessário discutir demandas específicas, para poder assim avançar em práticas mais plurais e respeitosas. Por conta disso, diversas atividades estão sendo programadas nas principais capitais, com o objetivo de dar voz e visibilidade às mulheres lésbicas:

São Paulo:

Festival Futsal da Visibilidade Lésbica

Promovido pela Frente Nacional de Mulheres Lésbicas e Bissexuais pela democracia, o Festival Futsal da Visibilidade Lésbica, acontece no sábado, dia 27, a partir das 14 horas. A atividade será encerrada com uma roda de samba do grupo Negras em Marcha – iniciado na Marcha das Mulheres Negra. O evento acontece na quadra do Sindicato dos Bancários, que fica na rua Tabatinguera, 192.

Ato Visibilidade Lésbica

Na segunda, 29, dia Nacional da Visibilidade Lésbica, o coletivo Visibilidade Lésbica SP, promove o Ato Visibilidade Lésbica, na Praça Roosevelt, exclusivamente para mulheres lésbicas. O ato aborda pautas importantes para o movimento como a lesbofobia, o machismo e a necessidade de mulheres lésbicas ocuparem espaços públicos. A concentração começa às 17 horas.

Belo Horizonte:

Sarau da Visibilidade e Isoporzinho

Organizado pela Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, o sarau tem como objetivo reunir mulheres lésbicas da região para a leitura de poesias. O evento acontece na sexta (26), a partir das 18 horas. O local do encontro é na Praça Raul Soares.

Rio de Janeiro:

Mês da Visibilidade Lésbica

O coletivo Sapa Roxa promove várias atividades para mulheres lésbicas durante todo o mês, entre elas oficina de grafite e oda de conversa sobre lésbicas na favela. As ações acontecem em diferentes pontos da cidade.

Salvador:

SapatonizeAgosto  

Nos dias 27 e 28, acontece no Instituto Mídia Étnica diversas atividades organizadas pelo blog Gordão&Sapatão, Odara –Instituto da Mulher Negra e Revista Afirmativa.  

O evento vai oferecer oficina de escrita poética, sarau sapatão, rodas de conversa sobre lesbianidade e negritude. O Institto Mídia Étnica fica na rua Area de Baixo,6.