Pesquisa aponta que 4% dos estudantes brasileiros entre 13 e 15 anos já sofreram abuso sexual

Crédito: Pixabay

Com o objetivo de conhecer e dimensionar os riscos que ameaçam a saúde de adolescentes, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). De acordo com a pesquisa 105 mil estudantes do 9º ano do ensino fundamental relataram ter sido forçados a ter relação sexual. O número representa 4% dos 2,6 milhões de alunos entre 13 e 15 anos, das redes pública e privada de ensino. É a primeira vez que esse tema é analisado pela pesquisa que está em sua terceira edição, sendo realizada anteriormente em 2009 e 2012.

Segundo a PeNSE, as meninas são as principais vítimas da violência sexual – elas representam 4,3%, enquanto os meninos 3,7%. Ainda de acordo com a pesquisa, o(a) namorado(a), atual ou não, foi apontado como responsável por forçar o ato sexual em 26,6% dos casos; amigos, em 21,85%; pai, mãe, padrasto ou madrasta, em 11,9%; e outros familiares, em 19,7%.

O estudo também indicou que 27,5% dos alunos do 9º ano tiveram sua primeira experiência sexual em 2015. Desses, 39% não usaram preservativo na primeira relação sexual e 33,8% não usaram na última. Das meninas que tiveram relações sexuais, 9% engravidaram, 9,4% delas eram alunas da rede pública e 3,5% da rede privada.

A pesquisa também avaliou consumo de álcool e drogas, alimentação e prática de atividades físicas. O consumo de álcool aumentou principalmente entre meninas – 1,5 milhão de alunos, ou 55,5% do total, já consumiram ao menos uma dose de bebida alcoólica na vida. Entre as jovens entrevistadas, 56,1% afirmaram já ter experimentado bebida alcoólica, enquanto o percentual entre os meninos foi de 54,8%. Ao consumo recente, 25,1% delas e 22,5% deles responderam sim.

O consumo de drogas ilícitas foi confirmado por 9% dos alunos (236.800) que afirmaram o uso pelo menos uma vez na vida. Maconha, cocaína, crack, lança-perfume e ecstasy foram algumas das substâncias citadas pelo estudo. Ao contrário do observado em relação ao álcool, o consumo de drogas foi mais intenso entre os meninos do que entre as meninas: 9,5% e 8,5%, respectivamente.

Com relação a alimentação, O feijão foi apontado como hábito alimentar por 60,7% dos alunos; legumes e verduras, por 37,7%; frutas frescas, por 32,7%. O critério foi o consumo igual ou superior a cinco vezes por semana. Entre os considerados não saudáveis, os percentuais foram inferiores. Guloseimas, como doces, balas e chocolates, fazem parte da rotina de 41,6% dos estudantes; salgados como hambúrgueres e embutidos, de 31,3%; refrigerantes, de 26,7%; e salgados fritos, de 13,7%.

A prática de exercício físico foi considerada insuficiente pela pesquisa. 60% dos alunos não praticam atividades com regularidade. Os ativos, que se exercitaram por 300 minutos ou mais no intervalo de sete dias, representaram 34,4% do total. Em comparação com a pesquisa realizada em 2012, houve melhora: apenas 30,1% dos alunos do 9º ano eram fisicamente ativos naquele ano.